sábado, 12 de maio de 2012

Memórias do Outono




 Das muitas coisas que vivi naquele outono, uma das poucas que me fizeram refletir, foi observar pela porta de vidro ,que me separava da calçada e da rua que estava a minha frente como que uma muralha á dividir, um homem de aparência simples, que recolhia as garrafas pet, que alguém jogou no lixo e delas retiraria seu sustento. Durante minutos o observei, e me questionei, acerca da frieza que muitas vezes produzimos feito uma geladeira que produz e solidifica o que nela detém.
Aquela tarde, observei o contraste entre o carro estacionado, motorizado, e o carro, que  era guiado por este homem anônimo para mim.
Questionei-me como o capitalismo divide. As pessoas, em grande parte acreditam que alguns nasceram para ter sucesso e outros não. Ao remexer os papéis, onde eu  estava naquela tarde, encontrei o texto motivacional, que desmotiva todo e qualquer ser que ao menos pense na realidade e seus contrastes. O nome era: "O seu sucesso depende de você". Ora, e aquele homem? Sim aquele homem que se locomovia, o que o fez chegar a esse ponto? Quais as barreiras e oportunidades que não lhe chegaram e que lhe foram negadas assim como a muitos que se marginalizaram? Quais as portas que lhe foram fechadas e que este foi o único meio para sua sobrevivência?
Porém passamos nas ruas e vemos pessoas procurando no lixo o pedaço da maçã que foi jogada, e isso é "o normal", ignoramos quem  no fim do expediente do comercio varejista, vai nas portas das lojas pedir caixas de papelão, alguns para vender e comprar seu pão, outros para se cobrir na calçada durante as noites.
Onde foram e o que pensavam a respeito disso aquelas pessoas que o capital favoreceu  de certo modo e tomaram por entre risos aquele liquido comercializado e no lixo jogaram a garrafa pet para que o ciclo de desigualdade prevaleça e aquele  homem, anônimo, retire seu sustento

José Rocha
Joseasrocha@hotmail.com
Graduando em Historia
Universidade Estadual de Alagoas Uneal