Quando chegou a
primavera, faltou luz no silencio da tarde.
Algo em mim,
sufocado, ardia e batia forte em meu peito como se o visitante que eu não
queria receber já estivesse à porta da frente.Tentei fugir do barulho e feito
águia a levantar vôo, escutei meus passos com precisão.
Fechei-me na
penumbra do quarto e ao olhar pela janela,tornei-me poeta aprendiz que ao
admirar a vida,soma os versos de sua primeira poesia.Diferente de outrora eu já
não sabia o que fazer. “Passei metade de minha vida acumulando
riquezas”,disse-me o sonhador realizado.
Eu porém,passei
grande parte de minha vida a defender meus ideais.Ofereceram-me do ouro ao
diamante para eu os abandonar ,mas não aceitei.
Recusei reinos e
vales,montanhas e mares,tudo era sem valor para mim.Como quem segura uma jóia
rara nas mãos ,segurei forte e os protegi para que não os roubassem de mim.
Hoje mal
acredito que em uma tarde tão bela,quando a brisa leve soprava sobre mim,eu
troquei por 30 moedas de prata tudo aquilo que sempre me deu esperança e
vida.Percebi que passei tanto tempo a defender certos valores éticos e como
quem empunhava uma espada afiada,lanço-a ao chão e abandono tudo.
Pergunto-me se
foi inútil recusar o ouro que por tanto tempo me ofereceram. E como se a venda
de meus olhos fosse retirada,vejo a vida de outra forma.
Já não insisto
em usar o brasão sobre o peito e pela janela vejo minha capa vermelha no varal.
Descobri que os
heróis que sempre aplaudi, não passam de homens velhos, cansados e arrependidos
de salvar o mundo.
E por temer ser
igual a eles, larguei a caneta e rasguei o poema. Por saber que um dia serei
esquecido da mesma forma que esqueci de lutar, sinto-me um velho que levanta a
bandeira e chama pelo que não se conhece.
A saudade já se
foi e no muro da esquina eu não vejo as juras de amor eterno. Feito criança
arrependida por ter quebrado o vidro, devolvo agora as 30 moedas de prata na
esperança de que volte a vida.
26/11/2010
José Rocha
joseasrocha@hotmail.com
Graduando em Historia
Universidade Estadual de Alagoas
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